sexta-feira, 22 de março de 2019

todo tempo memória

Para o lado de dentro...onde o tempo não é!
"O tempo só passa fora da gente!"
Que esse lugar de dentro, onde tu vives inteira
seja um relicário de amor e vida.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

ao medo...

... preciso compor silêncios
essa musica que abranda
os tempos
que vivem hoje sua sentença
de urgências
em dores e medos
não quero uma partitura
de lamento
... não hoje!
quero um silêncio
quase que bordado
não fosse por desatenção
ou por motivo de obrigação
a direcionar o ar
de dentro pra fora
como quem precisa viver
e se tornar intimo de mim
um silêncio onde possa me expandir
como sou
como sei
uma pausa pra eu olhar
com meu próprio olhar
as notas que me compõem
sem importar os ruídos de fora
as luzes que me distraem
dessa atenção, desse passo de dentro
que me carrega nos braços e
há tempos
cansados, me pedem acalmar
como condição de existência
sem mais me abandonar
para melhor conviver
com outros olhares

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Quando sou pedra....

dura.... porosa...fria... arma... parada... quieta... insensível... silenciosamente bruta...inflexível.
preciso ouvir a prece da semente da paz na terra... do carinho suave e sereno do escuro do ceu ... da presença de amparo de um sol que me acha... para quando me lançarem, a esperança é juntar os pedaços inteiros de mim...e construir uma fortaleza... capaz de em silencio oferecer algo bom... quando essa pedra fala, é um grito... sua voz é como espinho na garganta, mas fere mais que a si mesma

mudez

não há silêncio
é só a pausa do sol... da chuva...do vento...
é quando a palavra descansa. 
existe... e sussurra, serenamente... um abraço de c'alma
é olhar...segurando a lagrima
é não piscar para não perder o voo
não fatiar a paisagem
é silêncio dos ruídos
dos sentidos agressivos
que te arrancam de ti mesmo
é equilíbrio.... de dentro pra fora
é mistério não revelado
em constante crescimento
ama.dure.cimento


solidão

... lugar de ficar
de peito aberto
e cavoucar sentidos da vida
setas-sementes daquele
silêncio de morte em crescimento
vagaroso e absurdo
de entrega incansável
no escuro
a desenhar a saída
pra rua, pra luta, pra vida
acreditando nas sensações
quentes e úmidas
que até rasgam a pele
mas a faz acreditar
nos brotos,
suas flores
seus espinhos
seus frutos
seus medos
seus perfumes
sua presença no mundo
das belezas de ser o que é




.. só porque talvez dezembro nos abre o peito a gratidão

buscar poesia nas coisas
são belezas que me atraem
e me permito fazer parte
traz leveza para o cotidiano
apesar dos mergulhos serem
muito profundos, para alguem
como eu, que não sei nada(r)
não respiro embaixo d'água
ou por vontade própria
por ideia fixa, pensada, decidida...
apenas é uma invasão que a vida faz
para que eu viva
e a poesia me diz pra viver melhor
a musica conduz meus passos
o sentimento que eu transpiro
conta minha história sempre
que me emociona...
tantos afetos...
tanto querer de me buscar
na beleza das coisas
a poesia da vida

Senhor, exiges de mim um esforço de purificação,
da memória e do coração.
Queres que mergulhe no íntimo do meu “eu”,
para que me reencontre e Te reencontre a Ti.
(...)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Mesmo que dissesse numa palavra direta... Mesmo sendo setas, não acertaria o alvo.

Onde não cabe amor
Nao sei ficar

O silêncio  tem a língua afiada
É o que eu sinto quando me pausa o canto

Dor inutilmente  alimentada
Debocha do que sinto

Disfarça o riso e a raiva
Quando lava essa face

Expõe os medos e os cansaços
Amortece os sonhos e as esperanças

...
Não tem palavra que transborde
Tudo que ainda cabe no peito
Do lado de dentro, um sacrário
Para sempre...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018



"Mereces un amor que te quiera despeinado, con todo y las razones que te levantan de prisa, con todo y los demonios que no te dejan dormir. Mereces un amor que te haga sentir seguro, que pueda comerse al mundo si camina de tu mano, que sienta que tus abrazos van perfectos con su piel. Mereces un amor que quiera bailar contigo, que visite el paraíso cada vez que mira tus ojos, y que no se aburra nunca de leer tus expresiones. Mereces un amor que te escuche cuando cantas, que te apoye en tus ridículos, que respete que eres libre, que te acompañe en tu vuelo, que no le asuste caer. Mereces un amor que se lleve las mentiras, que te traiga la ilusión, el café y la poesía" (Frida Kahlo).

E quando você encontrar esse amor, quando ele bater sua dor silenciosa em teu peito, você vai entender finalmente que nada pode destruir esse fogo ardente que te queima dia e noite...

Você vai saber que nem o silêncio mais profundo, as longitudes e latitudes, a idade, as dores do corpo e as mágoas da vida podem afastar de ti a dor e a glória desse amor...

Você vai finalmente entender que não há nada, mas nada mesmo que te impeça de amar e viver a grandiosidade e maviosidade de teus sentimentos.

E que não importa o tempo que passe, as feridas que nascem, o sofrimento que te é imposto, nada nem ninguém poderá separar você desse amor que te faz criança e anjo à brincar feliz e querido por entre as flores de teu jardim dos encantados.

E você vira criança outra vez... vai andar de mãos dadas, comer algodão doce em alguma pracinha de lumiares interiores, soltar pipas e voar nos carrosséis da vida como nunca dantes...

E você vai querer gritar ao mundo a plenitude de tê-lo encontrado, vai tocar com as mãos as estrelas do céu e descobrir que elas cintilam festa somente para ti neste instante mágico em que teus olhos perscrutam o universo profundo da ternura e fogo desse amor...

Neste dia de sinceridade com teu coração você vai parar de olhar o fim, de contabilizar perdas e danos, de se entregar ao medo e ao vazio e vais ver que sempre é tempo de um novo recomeço, que você pode ser feliz em qualquer tempo, independente de quem és, onde estás, quem está ou não contigo. Porque você merece ser feliz, você merece este amor, ele é dádiva, presente... que você pode aceitar sem medo de que alguém o arranque de ti...

E então você vai acreditar e viver em sonhos e utopias e vai saber que és um privilegiado sobre a imensa terra que teus pés pisam...

Neste dia de reconhecer e aceitar sentimentos você vai sim descobrir que amar também dói, mas vais compreender que não podes mais viver sem essa dor... e então nunca mais vais querer jogar o que sentes no esquecimento.

Neste dia de glória, de descobertas do amor vivo, ardente, chama pura e flamejante... é esse amor que vai te acordar para a vida e te fazer abandonar pra sempre a vontade de morrer...

E então você vai saber que não há nada neste mundo que te impeça de ser e viver quem é de verdade e de, em completude de alma, amar e ser amado...

Ama... e deixa-te ser amado...!

Maria

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

E se uma nuvem entediante envolver sua alma, troque... de perspectiva, de perfil, o retrato atual, encontre outros desafios, outros livros, uma nova flor, troque as pessoas tóxicas, por seres mais leves, mais livres... embebecidas de ternura, impregnadas de amor.
Ari Mota
tenho o desafio de "quase" escrever o livro da minha vida...
fui vivendo cada dia como se nunca fosse perder as pessoas que amava...
amigos e familiares estariam ali para sempre...
todas as emoções que me construíram, filtro das minhas vivências e hoje minhas memórias
quase precisam de uma mágica para me levar para o começo de tudo, em cada fase vivida.
eu não sei... a memória dos sentidos pensei nunca perder, mas está muito distante do meu alcance cavoucar dentro de mim os momentos e as histórias que definem quem sou...
vou me descobrindo uma pessoa desconhecida em mim, apesar de ter sido sempre a mesma...
sei que sempre busquei o equilíbrio e a segurança... sei também que isso tudo se perde em algum momento da vida... e sei por experienciar isso...
estudando uns padrões que não quero me encaixar... acredito que como ser humano posso ir além disso tudo... do que é e já foi conhecido... por isso estamos em constante "evolução"... não é bem essa palavra que queria usar... é sempre um momento de aprender, errando ou acertando...
estou tentando me lembrar da infância... e me vem essa saudade, um cheiro de flor-de-colonia, um gosto da comida da vó, a dor das varias batidas que levei na cabeça, no braço, no peito...quando tirava água do poço e não aguentava o peso do balde cheio e a corda descia ao fundo do poço...
o calor do sol quente na cabeça... a água fresquinha do córrego... o desconforto de andar a cavalo e cair na plantação de alho e cebolas...o som da voz do meu avô... que assobiava musicas nordestinas pra mim... sua unha comprida coçando minha cabeça ... o cheiro do coentro na horta... o canto dos pássaros...
sigo aqui tentando lembrar dos meus comportamentos, pensamentos e sentimentos

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Apenas meus olhos

nessa minha pele tatuada de sentimentos tão profundos... tão sentidos
imprimo um coração que vive de silêncios, embora, percutindo minha vida no seu ritmo
tantos quereres compartilhados nas entrelinhas e nos traços desse desenho de cor, que não é a sua
mas apenas meus olhos passeiam aqui

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

No coração do outro

... é um exercício diário sair dessa plataforma de esperas... às vezes onde a gente se sente pertencida é numa dessas estações de ficar... às vezes eu fico por pura preguiça, sem esperançar... e talvez a gente signifique muito para o outro, mas pra gente mesmo, que coleciona fracassos, que se cansa de dar um passo...que as vezes quer uma mão, um ombro, um colo... talvez não saibamos ou não caibamos na dimensão dos braços que nos dão... e sentimos como que se caíssemos de nós mesmos em pedaços fraturados pelo abandono

In.Vasão

rouba-me o ar, que dependo para viver...
embora me poupe desse movimento, ou ao menos não tomo consciência dele voluntariamente...
ele que insiste em me manter viva... embora as vezes  sinto cheiro de morte...
é preciso coragem para alcançar profundidades... mesmo não querendo ir tão fundo...
minhas memórias... rostos, cheiros, sons... digitais!
eu ainda preciso me lembrar no mesmo exercício habitual que a vida pede para viver
a saudade e esse querer... invasor como a respiração...
tomo um gole de consciência dele todo dia, 
embriagando o coração que hoje soluça

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

BLUES DA CHUVA



Aguacero
belo músico
aos pés de uma árvore desfolhada
em meio às harmonias perdidas
junto de nossas memórias derrotadas
em meio às nossas mãos de derrota
e dos povos de estranha força
deixamos abaixar nossos olhos
e nascer
desatando as cordas de uma dor
nós choramos.





Aimé Césaire (1913-2008)

Foi poeta, dramaturgo, ensaísta e político. Um dos idealizadores do conceito de negritude

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

31/10/2018

A confiança é a alma da oração.
Sem ela, é impossível dirigir-se a Deus e entregar-Lhe a vida.
Podes dizer muitas palavras,
recitar muitas orações que sabes de cor...
Se não tiveres confiança no Senhor,
estás apenas a falar contigo ou a praticar a arte da ilusão.
Mas a confiança não é fácil,
sobretudo quando tudo parece correr mal,
quando o presente parece não ter saída e o futuro é uma palavra sem sentido.
Pede ao Espírito Santo o dom da confiança,
em ti, nos outros, em Deus...
E começa assim a tua oração.

 [Ev Lc 13, 22-30] (Ouve com o coração, mais que com os ouvidos.)


As palavras de Jesus são exigentes e interpelantes. Hoje diz-te que a porta do Reino é estreita, que só entre por ela quem é humilde, de coração pobre e simples, sem vaidade nem ostentação. Quem ama o próximo, não calunia, não julga, não critica.

É assim o teu procedimento?

Seguir Jesus é exigente, é preciso cortar muitos apegos, renunciar a muitos planos pessoais, comprometer-se com Ele e desejar imitá-Lo. Ser piedoso e orante não chega. É preciso que a tua vida mostre Jesus.

És chamado ao compromisso com o Evangelho e com o Senhor Jesus. É assim que tentas viver?


Pede a Jesus, com audácia e esperança, a graça de um coração despojado e humilde para O amar e seguir sem reservas, sem escusas.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amem

Passo a Rezar

terça-feira, 30 de outubro de 2018



“Alguns julgam-se grandes, porque sabem mais do que os outros, dedicando-se a impor-lhes exigências e a controlá-los; quando, na realidade, o que nos faz grandes é o amor que compreende, cuida, integra, está atento aos fracos”
~ Papa Francisco

terça-feira, 4 de setembro de 2018



"Não sei porque floriram no meu rosto

os olhos e os rostos que há em ti.

Floriram por acaso, ao sol de agosto

sem mesmo haver agosto ou sol em mim.


Não sei porque floriram: se o orvalho as queima

(Ponho as mãos nos olhos para os proteger!)

Tão estranho! florirem no meu rosto

olhos e rostos que não posso ver."


-Eugênio de Andrade para Sophia de Mello Breyner, Fevereiro de 1946

terça-feira, 14 de agosto de 2018

c'alma

abraço o silêncio de língua dor.mente
a razão não se dobra aos sentidos
e os sentidos não cala a razão
há algo de valioso sobre nosso comportamento
nossas vulnerabilidades e nossos limites
e foi compartilhado... como fratura exposta
dando o tom da dor e do amor dessa vida
a vida ás vezes dói assim, sem querer,
mas escolhe guardar sua dor, quando a do outro é maior
por isso há tempo para abraçar o silêncio
para cantar o silêncio
para orar o silêncio
nessa contemplação de misteriosos sentidos
da vida da gente...
preciso calma para escutar os poros se abrirem
eles e a percussão do surdo

quinta-feira, 2 de agosto de 2018