terça-feira, 4 de setembro de 2018



"Não sei porque floriram no meu rosto

os olhos e os rostos que há em ti.

Floriram por acaso, ao sol de agosto

sem mesmo haver agosto ou sol em mim.


Não sei porque floriram: se o orvalho as queima

(Ponho as mãos nos olhos para os proteger!)

Tão estranho! florirem no meu rosto

olhos e rostos que não posso ver."


-Eugênio de Andrade para Sophia de Mello Breyner, Fevereiro de 1946

terça-feira, 14 de agosto de 2018

c'alma

abraço o silêncio de língua dor.mente
a razão não se dobra aos sentidos
e os sentidos não cala a razão
há algo de valioso sobre nosso comportamento
nossas vulnerabilidades e nossos limites
e foi compartilhado... como fratura exposta
dando o tom da dor e do amor dessa vida
a vida ás vezes dói assim, sem querer,
mas escolhe guardar sua dor, quando a do outro é maior
por isso há tempo para abraçar o silêncio
para cantar o silêncio
para orar o silêncio
nessa contemplação de misteriosos sentidos
da vida da gente...
preciso calma para escutar os poros se abrirem
eles e a percussão do surdo

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Penso, às vezes,
como se o silêncio esmurrace as paredes do peito
como se chovesse lá dentro
e com sede,
abrisse os olhos...
e bebesse a conta-gotas
toda nossa história
e fosse ela, um sonho,
não desejaria acordá-lo
Mas ... tem vezes que
o silêncio esmurra a porta,
machuca as mãos
e sorri... como quem não
quer te ferir