quinta-feira, 19 de abril de 2018

deixar de ser

fora de alcance
não adianta inventar ponte
da desconstrução, não é só quebrar as paredes
é desfazê-las! Tijolo por tijolo... as fraturas são inevitáveis... eu sei.
mas é um jeito de dizer que há partes inteiras a se preservar, a reutilizar...
não dá pra simplesmente descartar num entulho qualquer... ou voltar a pó para nunca mais ser...
o pensamento rejeita essa ideia....
mas vai deslizando aqui dentro das areias e cimentos que me fixavam neles, nos pensamentos...
vai se despedindo de mim e... a esperança é de transformação... o que se desfaz não fica igual, muda!
articulo aqui meus sentimentos, antes cimento, areia e pedras, muitas pedras... sou eu quem devo retirar uma a uma... as que eu souber que não me sustentam... ou que não formam pontes de me ligar... ou a que me é fundamental....
quero Ser mais a cada dia... não deixar de ser...

sexta-feira, 13 de abril de 2018

hearts in fire



...

um casaco de pele invisível

abrigando o silêncio da lágrima

sabe o peso dela quem é capaz

de sustentar seu silêncio

ofertando flores, como fosse

a primavera

sem implorar pelo sol,

ser das estrelas caminho

o plano de voo

tapete de folhas não-mortas

carregadas pela trilha do vento

o mais difícil é pousar

se não vê a pista

quinta-feira, 12 de abril de 2018

no espelho

Quando a poesia dá o sabor na medida do inesquecível...
é como um olhar profundo que invade a alma da gente 
e meio que se perde lá dentro procurando a gente...
e não volta enquanto não se vê ...
às vezes estou eu e o espelho... e a vida passa refletida
e passo a segui-la....

quinta-feira, 5 de abril de 2018

tudo... ou nada feito!

sem raciocínio direito
há um certo equilíbrio
pensar que não se está só
num barco no meio do mar
sob a tempestade
quando se permite ver a luz do sol
não tão distante dali

tudo... ou nada feito!
é mais que uma frase de efeito
sobre tudo que posso abraçar
do lado de lá, do lado de cá
dentro do peito um lago
o coração um barquinho
de papel de seda brilhante
e todo querer navegante
querendo ser bússola
uma só é a direção
e eu quero seguir
lado a lado
(de lá, de cá)
com tudo que sou
...por dentro





quando se quer o melhor lugar

seu abraço poderia ter todos os espinhos
de todas as rosas e espinheiras...
ainda assim, seria para mim, o mais acochegante

(para quem precisar de declaração de amor)

para quando viver for só deixar o ar me respirar

esse ar que já entrou em mim
tão profundamente, aquece e esfria
mas é como"morrer de sede no meio de um rio"



Me calo diante da busca intempestiva pela vida que dá vazão aos sentidos do humano. Encontrei um lagar de nascentes intermináveis. Dele já compartilhei. Mas que fazer se o deserto alheio chora pela secura da alma? Nem o debruço dos olhos marejados por sobre a beirada do abismo arregaça o puro e verdadeiro dos sentimentos. Quando um não quer, não há como o outro lhe entregar o que lhe sobeja o espírito, a alma... É assim que morrem as lavraturas de um lagar de plenitude e sonhos azuis... Enquanto um foge em todas as direções, o outro se debruça sobre a face do abismo...

Maria.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Para nós ainda haverá muito tempo.
Mesmo que o passemos na solidão
Para nós ainda haverá muito tempo.
Mesmo que seja nas lembranças
Em nossas bocas ainda haverá muitos céus
E uma língua de chuva
Que visitará os nossos lábios
Quando o deserto nos afogar a palavra
Para nós ainda haverá muito tempo.
E uma bíblia de cânticos.
Em nossos corpos será escrito
Para nós ainda haverá muito tempo.
Mesmo que a morte se aproxima
Do amor que nós construímos
Uma canção vai ficar.


Sândrio Candido
Às vezes eu só sei sentir. 
O dizer sobre o que sinto só me chega com o tempo.
Ou não. 
A inteligência que rege os afetos não fala a mesma língua que a razão. 
Outra escola, outra regra, outra lição. 
Às vezes sei entender o mundo, mas não sei entender meu coração.

Pe Fabio de Melo