sexta-feira, 18 de maio de 2018

“Meninas sem bonecas”


memória do futuro…

Já faz tempo... e ainda leio os jornais... e os olhos delas...



“Meninas sem bonecas”


ouço passos de encontro a solidão dos sentidos frágeis
que cobrem seu corpo enquanto cala sua inocência;
enquanto esmagam seus sonhos antes que ainda os saiba sonhar…
vejo o peso duma culpa, abafando o grito de um apelo triste, agonizante,
escrito em letras garrafais e estampado na sua retina
sem a luz da esperança
olhos que tocaram o espinho
bocas fechadas nos poros da pele
já não sentem seu cheiro
jaz a sombra e seus passos
caídos
marcados
perdidos
prisão dos sentidos
na estação da dúvida
na plataforma do medo
a razão comendo as sobras
da revolta e da dor
que devorou os famintos


(abril de 2009-rose rocha)

domingo, 13 de maio de 2018



Sobre as faltas



Há tanto que sentir e refletir

Olho pra um canto da vida, e vejo dor e solidão...

Sinto o desgosto, a impotência e o medo...

Sei que é só questão de olhar de novo

Pois o que era, mudará...

Mas ainda gosto do que faz a fotografia

No tempo de agora: memória!

As vezes só precisam de um abraço e um sorriso

De um olhar mais de perto...

Capaz de comunicar gratidão e respeito!

Sempre haverá faltas e vazios a serem preenchidos, experimentados...

Difícil esquecer o que esta sempre "ausente"...

segunda-feira, 7 de maio de 2018

"O dia mente a cor da noite 
E o diamante a cor dos olhos 
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente" 

(...) E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar 
Metade de mim Agora é assim 
De um lado a poesia, o verbo, a saudade 
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim 
(...)
 Só enquanto eu respirar 
Vou me lembrar de você 
Só enquanto eu respirar

- do Anjo Mais Velho - O Teatro Magico

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Um brinde ao silêncio!

há um querer que não vai se calar
é a vida que pulsa, independente dos ais...
me sinto, às vezes, embriagada
e é preciso resistir aos apelos do peito
que gosta de desenhar os sentidos
talvez seja medo de morrer sufocado
ou só medo de não ser compreendido
mas é o tempo da calmaria
procurar calar os barulhos internos e externos
aqueles que se ouve sozinho
é dia da festa do silêncio
ouço bem perto sua sinfonia
contradiz a si mesmo, de tanto que me fala!





a tua ausência
teceu em mim
_um _longo _e _áspero _bordado
de silêncios e pedras



Nydia Bonetti

quinta-feira, 26 de abril de 2018

ruas de dentro

representa perigo, o caminho só de ida
alguém sempre desiste de seguir, e pode querer voltar
aí na contramão, sai atropelando tudo que ficou,
mesmo quando é a si mesma..
tenta resgatar o que deixou cair
e não expõe as fraturas só para não agredir seus olhos
caso pise nesta estrada
o caminho de ir, também vem, mesmo quando é proibido.
por isso, sempre precisas olhar antes de decidir qual direção seguir
siga, sem atropelos... se vir alguém na contramão, dê passagem, não bata de frente, nem de lado
deixa que vá ou volte... essa busca de si mesmo às vezes se dá nesse encontro com o outro... mesmo que bruscamente, e nesse perigo de colisão... não que tudo seja por acidente... mas por escolhas sim!
podes decidir sempre. com alguma dor, é fato...alguns prejuízos, é certo! mas às vezes se está sozinho, e os traumas menores...
talvez você decida andar na contramão
talvez seja este o caminho certo
uma vez no caminho, caminhe
talvez o fluxo dos outros te direcionem
ou você pode ser a seta para o outro
ou não existe caminho, só um mar imenso, e eu e você, sejamos farol
talvez não queira navegar e fique sempre imóvel naquela rocha, observando...
talvez sinta muito medo, mesmo na superfície...
antes de dar qualquer nome, já era "para sempre"
as ruas de dentro, não são pavimentadas,
e estão cobertas de folhas,
os mapas tem muitos caminhos
nenhum me leva daqui
estou cansada,não sei desenhar a estrada
e se me projeto no caminho forrado, sinto medo
o chão é de barro... eu também
e a chuva já vem...
hoje faz frio