terça-feira, 8 de outubro de 2013

tapete das horas

Daisy
é nesse instante único
que me deito na espera
e vislumbro a quimera
numa prece urgente
e necessária...
que não descansa sob o sol
e não deixa de sonhar...
observo, quase que tocando-te
tamanha vontade de aplacar
a ansiedade das horas
e da prisão dos sentidos
ora grito, ora calo
na verdade, me perco
dedilhando seu poema
num querer de uma entrega
quase que total
não fosse minha desatenta lógica,
que me faz perder a noção
de entender que não é meu o poema
e eu nessa pretensa vontade de fazer parte
esqueço que é preciso o "quereres"
num plural de amor e vontade
e numa entrega inexistente
de olhos e mãos
que me dediques
que me dedilhes
além da impressão
que já pertence ao meu peito
que se desenhe no seu coração
um tapete de sonhos e belezas
dessa primavera que amo
e que respiro nas "últimas" horas
Rosebud


Um comentário:

A Marques disse...

Rose... Que bonito é o seu texto!!! Já o lí e relí..., e no entanto, obsorvo a beleza de cada palavra,... de cada linha,... do contexto dum modo geral... enfim... Creio não ser experiente para dizer algo que esteja a altura,... Mas, por outro lado, não posso omitir o fato de que, em seu texto, é possivel vislumbrar um sentimento profundo que, equilibra-se entre "a ansiedade das horas", "da prisão dos sentidos" (e como é duro lidar com isso!)..., além de uma vontade que sabe reconhecer que nem tudo depende de um singular "de um EU, mas, de um plural,... de um Nós. Remete um desejo,... um amor talvez?... Mas também remete um certo ar de não poder,... daí então surge os mais doídos conflitos interiores.../ Nos meus balbúcios poéticos que tento fazer, sempre valho-me desses elementos como inspiração... No entanto, dependendo do que o autor(a) esteja sentindo naquele momento - emocionalmente falando - parece que até as palavras tem dificuldades de aconchegar o coração, rsss... /// Prazer em ler-te Rose. Um abraço e até mais...

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