quinta-feira, 23 de abril de 2015

que a beleza adorne seu dia




rezo um poema em baixíssimo tom
outros eu rasgo :-risco
exponho em praça pública
alguns poucos eu canto
raríssimos eu calo
:- o meu melhor poema sempre foi
o silêncio

Poema de Nydia Bonetti

uma rosa



Tu vais e vens
Mas dentro de limites


Fixados por uma lei
Que não chega a ser tua.

Nós temos em comum
A experiência do muro.

De Eugène Guillevic (via Nydia Bonetti)
Carnac (1961)
Vozes da poesia europeia III
Traduções de David Mourão Ferreira
2003

olhando a poesia





segunda-feira, 13 de abril de 2015

até seu coração...

... e para cada pensamento há um silêncio, a nossa resistência, essa coragem e a força do amor... que ainda assusta e surpreende... porque tenho medo... e porque há tanta beleza na vida da gente...

desistências sempre me rondam... (no mesmo medo) nas mãos, nos olhos...há mais uma prece (até o seu coração) há muitos conselhos e eu aprendi a dobrar os meus joelhos!

é a necessidade que cavoca tudo que há... e os sentidos gritam mesmo que não haja mais ouvidos no mundo... e a cada dia diminuam os corações (quase não há espaço para entrar),

não há mais olhares no mundo, não há abraços. há muitas pedras...nas mãos... nas minhas...um coração ... a bater... por amar

segunda-feira, 30 de março de 2015

deixe a vida viver

não adoeça...
não há mudez nos sentidos...
hoje eu ouvi que precisamos reatar a amizade com a vida. senão a gente morre, de pé, chutando pedras...


sexta-feira, 27 de março de 2015

“A dor do amor tem de repente uma doçura, um instante de sonho que mesmo sabendo que não se tem esperança alguma a gente fica sonhando.” – Rubem Braga, em “Amor e Outros Males”.



terça-feira, 24 de março de 2015

para quando o sentimento se acalmar no mesmo amor

mas agora é a hora de celebrar o silêncio... a nossa resistência...essa coragem e a  força do amor...



entendo muito pouco da vida, das pessoas, dos sentimentos
observo com amor como que se relacionam na vida. mesmo assim me assusto.
e julgo, no meu íntimo, a tudo e a todos...e antes, a mim mesma severamente.
as desistências me rondam... a de entender, de aceitar, de esperar...
o outro sempre tem a solução perfeita para os problemas alheios.
tem sempre uma bela lição para o outro aprender. 

penso que o melhor é não pedir conselhos e sim dobrar os joelhos!
não há mais ouvidos no mundo. e a cada dia diminuem os corações.
querem bater no outro a sua verdade. ferem a vida do outro, em nome de um falso cuidado, direito, de um amor rarefeito...
não há mais olhares no mundo. não há abraços. todos muito ocupados apontando os culpados.
há muitas pedras...nas mãos... 

quinta-feira, 19 de março de 2015

intenções

o afastamento provoca os sentidos
ele mostra coisas que estavam longe
muito longe dos olhos e do coração
de repente, tudo fica dúbio...
o estranhamento se dá nesse espanto
um impulso que entrega o pensamento
talvez seja a falta de ar, esse vento maneiro que não sopra mais
cai-se nessa fragilidade...numa falta de entrega...apenas, cai!

quarta-feira, 18 de março de 2015

sobre merecimentos

quando é para o outro é favor.e.cimento
quando é para si, merecimento!
só se vê o erro quando é para o outro
quando se quer ser beneficiado, há muitas outras justificativas
...
todo dia, em todo lugar, em muitas situações

sobre o olhar e o tempo...

em minha direção quando vem... me iludo... penso que é para mim, por mim... o olhar e o tempo.
rodeia, rodeia e acabam confessando...

terça-feira, 17 de março de 2015

um nó de herança...


algumas coisas não se desfazem sozinhas...
deve haver uma intervenção...
dentro da gente,
quando o muito que podemos fazer é muito pouco...
por um instante é possível parar ...
numa tentativa de engolir o nó, que está lá...sem ter sido colocado...
eu sempre preferi os laços... sempre!
hora de atentar para que não se aumente os nós... da vida da gente!


segunda-feira, 16 de março de 2015

Que a minha reta siga cada nota até o seu coração



Desde de que eu me encanto, sigo a voz do vento,
Já faz tanto tempo, canto, intento.
A cantoria que me levaria a qualquer lugar,
A melodia que transformaria a quem escutar, assim num piscar.
E fosse o canto assim, como um quebranto, à compreensão,
E cada nota revelasse a reta do seu coração,
Só pela canção, tocar você.
Já faz tanto tempo que sigo a voz do vento,
Canto e não me canso, danço, invento.
Uma batida que tocasse a vida pr'um lugar melhor,
Uma canção que fosse vir assim pr'aquela paz maior,
A canção e só.
Que esse quebranto entoasse o canto pela multidão,
Que a minha reta siga cada nota até o seu coração,
Só pela canção, tocar você.

(Uma Canção E Só-Lenine)